sexta-feira, 24 de maio de 2013

Um pouco de lucidez perdida na crueldade

     Tablet, Ipad, Galaxy, Iphone, roupas, sapatos, um corpo bonito. Produtos e requisitos básicos para que nos sintamos aceitos, para que sejamos iguais as pessoas que admiramos e por quem nutrimos um ''sentimentozinho'' invejoso. Coisas de adolescentes, ou melhor, jovens em constante competição. Constante mesmo, não ouse negar! Teu ex, tua ex, sei lá, aparece com outra pessoa e qual é sua primeira atitude? ''Que garota horrível'', ''Que cara ridículo'', ''Nossa, não acredito, ela é gorda'', você pensa. Estou errada?
     A verdade é que somos (quase) todos cruéis, insidiosos. Jovens espíritos competitivos e miseráveis, potencializando nossas próprias mazelas, diminuindo as dos outros. Criaturas presunçosas, exalando pseudo maturidade, irrequietos, desesperados por atenção. E que sucesso maior alguém pode querer tendo um número bastante razoável de curtidas em uma foto no Facebook seguidas de comentários/elogios de pessoas que ela não conhece? Quanta realização! Loucura pensar que basta ter um rostinho bonito. Só isso tua geração te pede. Isso e roupas caras, apenas.
     ''Gente insossa, gente desinteressante'', penso comigo mesma. E para não me enroscar na hipocrisia, tento me corrigir, aos poucos, para que essas regras ditadas pela nossa improfícua juventude não signifiquem nada pra mim. Para que eu enxergue muito mais do que rapazes colecionadores de garotas bonitas, muito mais do que rostos excessivamente maquiados, muito mais do que cópias perfeitas espalhadas pelo mundo todo, enfim. Enquanto não chego lá, tento não me lamentar, pois o primeiro passo já dei. Entendi que tudo isso citado por mim não passa de ''vaidades que a terra um dia há de comer''.
     

Um comentário:

  1. Curti muito seu texto, principalmente pela sinceridade. De início soa cruel, mas acho que somos obrigados a concordar que tudo o que você colocou é realmente verdade.
    Parabéns, você escreve muito bem!

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