Chega a ser engraçado quando descobrimos algo novo sobre nós mesmos. Posso afirmar, com o máximo de certeza que a minha vida permite, que está pra nascer criatura mais sensível do que eu! Quem dera fosse aquele tipo de sensibilidade poética. Sensibilidade nerudiana. Entretanto, o papel desta na minha personalidade se resume a muito chororô, pensamentos rebeldes a respeito da asperidade recém descoberta por mim em alguém muito próximo e a carência de uma proporção desesperadora. Definitivamente, estou condenada a muitíssimas pertubações. Pelo menos até me encontrar nos braços de quem me protege com leveza e naturalidade quando está comigo.
E eu acho engraçado, em certos momentos. Sou grata a quem inventou o ''rir para não chorar'', afinal, chorar já não acalma ninguém. E é preciso ter controle quando descobrimos novos lados nossos ou aqueles lados escondidos. Sabe como é, uma sensibilidade enrustida, por exemplo. No caso, a minha nunca se encontrou nesta situação, pois já na sétima série ganhei o carinhosíssimo apelido ''Frida'' (de sofrida, dizia aquela amiga que não vejo há um tempo). Quer saber o que descobri de mim, então? Me tornei morada da saudade. Ela, de hóspede, fez-se proprietária.
O teu riso
Pablo Neruda
''Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.''
O teu riso
Pablo Neruda
''Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.''
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