quarta-feira, 29 de maio de 2013

Imensidão

     Eu não tenho a mínima pretensão de ser melodramática. Mas peço, de antemão, para que sejam benevolentes com a minha pessoa. Eu mesma não tenho paciência alguma com autocomiseração, por isso também antecipo que isso aqui não é um ato desesperado de alguém que quer parecer frágil. Débil parece menos clichê. Isso sim é algo para se sentir pena: uma adolescente em pleno início de feriado procurando um adjetivo que não explane sua fragilidade.
      A verdade é que a saudade tem me deixado um tanto ranzinza. Eu estou terminando um livro cuja história é extremamente apática. Uma mãe asquerosa, um filho sociopata, um massacre escolar comum no interior dos Estados Unidos. ''Precisamos falar sobre o Kevin'' tem me chocado de uma forma que não sei como e nem estou muito afim de explicar. Entretanto, continuo lendo-o e deixo que esta narrativa acinzente meus dias juntamente com a falta que o amor me faz. Tome nota: não sentir pena. Mas se sentir, faça algo útil e traga o sorriso mais bonito do universo até mim. Te juro, não tá muito longe, tá logo ali, a uns 500 km.
       Levando em conta essa aflição toda que tenho sentido, girando em torno da distância e o que ela pode fazer com relações débeis - repare que não usei ''frágeis'' - me considero alguém até que bastante forte. Porque gosto de insistir no que já está no seu leito de morte diante de olhos alheios. Persistência? Teimosia?Orgulho? Eu não estou nem aí. Pra falar a verdade, se trata muito mais, penso eu, de algo bem maior. Não faço ideia do que seja e já cansei de tentar explicar a mim mesma. Tudo que vem a minha cabeça é imensidão. Uma imensidão de sentimento. Um fenômeno que não precisa ser estudado nem justificado. Ele existe e pronto, pois essa imensidão é minha. E faço dela a minha única arma.

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