Eu tirei a manhã para comer bolo de fubá e ouvir alguns dos músicos com os quais me deparo na página do blog, principalmente. Não planejei isso aqui, mas cá estou na casa de uma conhecida, esperando o carteiro. Portanto, encontro-me com cinco videoclipes abertos, experimentando sons delicados e letras cativantes. Comecei com Vagalumes Cegos do menino Cícero e meu coração foi aquecido por versos doces e despreocupados. Como pude ter demorado tanto para me render?
Vem cuidar de mim
Vamos ver um filme, ter dois filhos
Ir ao parque
Discutir Caetano
Planejar bobagens
E morrer de rir''
Acho que demorei um tanto por conta de uma velha relutância que tenho em ouvir os artistas brasileiros da minha geração. O pessoalzinho que surgiu de nuvens cor-de-rosa e balões coloridos. E parte desta relutância deve-se ao fato de que - e é preciso ser delicada agora - eu não tenho simpatia alguma pela adorada Mallu Magalhães, garotinha que chegou de mansinho, mulher que conquistou um mundaréu de jovens. Gostaria de dar uma explicação sensata para o meu desprazer em relação a ela. Permita-me resumir a ''o santo não bateu e pronto''. E não me odeiem, mas a tal Clarice também se encaixa nisso pra mim.
Entretanto, nem tudo está perdido! Meus olhos brilham toda vez que vejo o sorriso adorável da Tulipa em uma foto. ''Só sei dançar com você'' foi amor à primeira ouvida. O santo mais que bateu. Minha alma se identificou e notei uma sinceridade absurda que não noto na maioria. Eu senti que ela escreve para ela e não para agradar. Aceitação é mera consequência.
''Você me chamou pra dançar aquele dia
Mas eu nunca sei rodar
Cada vez que eu girava parecia
Que a minha perna sucumbia de agonia''
Minha predileção pela música internacional também me atrapalhou um pouco a conhecer o que o Brasil tem de melhor na música. O engraçado é que, pela primeira vez, durante os últimos 10 anos, podemos observar uma mudança grandiosa na área musical brasileira. Poetas de sensibilidade extrema. Gente que sabe do que precisamos ouvir. Então, nascem versos carinhosos numa melodia dançante para que levemos a vida com mais leveza e carinho.
(A visita - SILVA)
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