Hoje bateu uma vontade incontrolável de falar sobre um tipo de dependência que assola a gente. Uma dependência universal, que chega discretamente e espalha-se desesperadamente. Trata-se da dependência que as pessoas são capazes de provocar umas nas outras. Aquele tipo de dependência que separa nossas vidas em duas partes, sendo a primeira intitulada ''Quando a minha vida era mais minha do que sua''. Aposto que já pegou no ar o assunto que pairou sobre a minha mente (e coração) nesta terça-feira ensolarada e solitária. Estou dependente. Você está dependente. A diferença entre uma dependência e outra é a tal da reciprocidade.
Reciprocidade. Ela nem sempre está presente. E dói. Dói ver que a gente pode acabar perdendo um tempo irrecuperável, descabelando-nos, cegos e profundos. E vou dizer o que dói ainda mais, sem demagogia, sem essa de clichê, sem mentir, sem exagerar. Juro: não há nada mais dilacerante que imaginar alguém que amamos numa situação assim. Você se descabela, cego e profundo, na missão de explicar para aquela pessoa que ela pode ser tudo na vida de alguém. E que esse alguém existe sim. Ninguém está destinado a morrer sozinho. ''Todo mundo precisa de alguém'', e haverá alguém precisando dela. Esta é uma das poucas certezas que tenho - e defendo.
Repito: Estou dependente, num quarto um tantinho bagunçado, com um baixo no canto a minha direita, um controle de videogame deixado na mesinha do computador, um livro indicado por mim sobre o cpu e um colchão deixado por ele e por mim no chão. Detalhes pessoais. Detalhes que farão parte da minha biblioteca da memória. Detalhes que atrairão mais e mais dependência. Mas sei que a reciprocidade estará nos olhos dele.
Ah, que lindo.
ResponderExcluirÉ verdade, somos todos dependentes e é muito bom quando há uma reciprocidade.
Pelo visto você tem essa reciprocidade.
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