domingo, 20 de outubro de 2013

É tudo sobre ele

    Preciso da sua licença para dizer algo que esteve entalado a manhã todinha de domingo. Você acredita que acordei sentindo uma inexplicável e imensa vontade de encontrar uma melodia bonita e adorável para enfeitar os meus versos? Aqueles versos que foram feitos pra ele. E eu não disse nada a ele. Não tive como falar desse desejo, desse projeto que ainda não saiu da condição de projeto desde que pensei nele. Há meses atrás. Quero transformá-lo em música. Quero que as pessoas o cantem, entre um Do do do do do bobinho, ou shooby-doo, quem sabe.
    Mas nunca falei disso com ninguém, se quer saber. É uma coisa tão minha isso de querer eternizar meu rapaz em notas musicas, em páginas de livros...na mente. E pra falar a verdade, me pego pensando, ás vezes, ''ele deve me achar uma baita de uma exagerada''. Será que ele entende? Será que gosta? Será que sente o que quero dizer com todas as palavras que passo horas procurando para que eu chegue perto de fazê-lo compreender a mesura com que discretamente penso em nós dois? Não é seguro me abrir tanto, escancarar esse grande amor, essa reverência, os medos e sonhos. Não é seguro, eu sei. Entretanto, no fim, Vinícius de Moraes não pensava nesses perigos ínfimos ao escrever um soneto. Só sentia e explanava tamanhos sentimentos para o mundo! (Não me compararia ao mestre centenário, jamais.)
    Espero que ele me desculpe por não falar isso diretamente, com o som da minha voz - que ele diz gostar tanto - ligando-nos através de uma ligação. Mais uma ligação entre tantas. E não se trata de eu achar que ele seria incapaz de entender tudo que tenho aqui, dentro de mim. Mas nem sempre sei como ele vai agir diante de um dos meus surtos românticos. Como será que agiria diante da minha vontade de cantar pra ele? É uma pena que a distância não permita que ele me pegue nesses momentos. Esse rapaz tem ideia de que tem uma romântica incurável como namorada, mas, talvez, ainda não saiba sobre sua coleção de pensamentos infantis a respeito de príncipes e princesas, casamentos e final feliz. 
    O mundo não me corrompeu.

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